José Serra e Aécio Neves , baluartes da oposição , sinalizaram no sentido de se arrefecer essa investida porque têm na pessoa de Paloci uma das vertentes liberais do PT. Sua saída , segundo essa visão tacanha e estúpida (igual àquela do início do escândalo do mensalão em que se poupou Lula de um impeachment acreditando em seu desgaste até o fim de seu mandato ), é preferível ter Paloci aos radicais do PT. Mas , dentro de um projeto oposicionista de chegar ao poder , qual seria a diferença entre um PT light e um PT hard? Isso nem a burra oposição responde.
O povo brasileiro , no entanto , parece dar mais atenção e mostrar mais interesse em questões pontuais do que numa “mera ” questão de evolução patrimonial não-explicada de um dos ministros de seu governo . Refiro-me ao destaque com que a prisão do jornalista Pimenta Neves obteve perante o povo em geral e na mídia que vocaliza sua repercussão. Cumprir-se uma prisão que decorreu de um ato criminoso ocorrido há onze anos , por certo é motivo de notícia , sobretudo envolvendo a pessoa de Pimenta Neves que não é um joão-ninguém . Mas , quando a população brasileira aplaude esse ato e ignora ou se faz indiferente ao primeiro , dá carta branca à sua classe política para fazer o que faz.
Veja que o cumprimento da prisão de Pimenta Neves é mais fruto da luta da família da namorada que ele assassinou – e que se empenhou todos esses anos para sua efetivação - do que do efetivo funcionamento das instituições judiciais do Brasil quando o réu tem um certo quilate .
No contraponto desse fato – ou fatos - Lula ressurge do seu ócio político para mostrar e dar as cartas de como deve ser mantido o status quo da sem-vergonhice na vida pública brasileira . A cena em que ele aparece ao lado de vários políticos do PT sorrindo como hienas , seria patética se não fosse ridícula , evidenciando mais um encontro de sicários do que uma reunião de homens públicos .
Dilma Roussef pode ser uma durona como dizem, mas parece não ter habilidade suficiente para entender que o poder não se divide, mesmo que essa divisão seja com um “companheiro ”. Talvez aí esteja a explicação para as tantas indagações do porquê Lula insistiu com Dilma Roussef para sucedê-lo. E no fim , quem se lembra que se estava falando de ética e moralidade na vida pública brasileira ?