sábado, 28 de maio de 2011

A MORALIDADE BRASILEIRA E A VOLTA DE LULA

    O Brasil é um país estranho, se não quisermos falar que é um país atrasado do ponto de vista ético e moral. Todos têm lido e ouvido as notícias acerca da evolução patrimonial vertiginosa do ministro Paloci no espaço de quatro anos. Como figura pública que é e tendo o fato caído no domínio público, Paloci teve – ou teria – que dar explicações sobre esse fato. Mas além de sua resistência – o que não deixa de compreensível num país chamado Brasil – o que chama a atenção foi a reação do governo e da oposição.

            José Serra e Aécio Neves, baluartes da oposição, sinalizaram no sentido de se arrefecer essa investida porque têm na pessoa de Paloci uma das vertentes liberais do PT. Sua saída, segundo essa visão tacanha e estúpida (igual àquela do início do escândalo do mensalão em que se poupou Lula de um impeachment acreditando em seu desgaste até o fim de seu mandato), é preferível ter Paloci aos radicais do PT. Mas, dentro de um projeto oposicionista de chegar ao poder, qual seria a diferença entre um PT light e um PT hard? Isso nem a burra oposição responde.

            Por outro ladomarca de como se desenha o governo Dilma – quem surge em defesa de Paloci é o ex-presidente Lula, numa inusitada ação de convocar a base governista petista e pelegos aderentes para impedir que o país tome conhecimento da ascensão patrimonial de seu ex-ministro da fazenda. É impressionante a que ponto o cinismo e a desfaçatez tomaram conta da vida pública brasileira. Aquilo que em um país minimamente decente levaria a uma renúncia do homem público questionado, no Brasil até um ex-presidente – talvez incomodado com a falta de exposição – se move para proteger Paloci.

            O povo brasileiro, no entanto, parece dar mais atenção e mostrar mais interesse em questões pontuais do que numa “meraquestão de evolução patrimonial não-explicada de um dos ministros de seu governo. Refiro-me ao destaque com que a prisão do jornalista Pimenta Neves obteve perante o povo em geral e na mídia que vocaliza sua repercussão. Cumprir-se uma prisão que decorreu de um ato criminoso ocorrido há onze anos, por certo é motivo de notícia, sobretudo envolvendo a pessoa de Pimenta Neves que não é um joão-ninguém. Mas, quando a população brasileira aplaude esse ato e ignora ou se faz indiferente ao primeiro, dá carta branca à sua classe política para fazer o que faz.

            Veja que o cumprimento da prisão de Pimenta Neves é mais fruto da luta da família da namorada que ele assassinou – e que se empenhou todos esses anos para sua efetivação - do que do efetivo funcionamento das instituições judiciais do Brasil quando o réu tem um certo quilate.

No contraponto desse fatoou fatos -  Lula ressurge do seu ócio político para mostrar e dar as cartas de como deve ser mantido o status quo da sem-vergonhice na vida pública brasileira. A cena em que ele aparece ao lado de vários políticos do PT sorrindo como hienas, seria patética se não fosse ridícula, evidenciando mais um encontro de sicários do que uma reunião de homens públicos.

            Sempre disse quando escrevo que não sou analista político ou coisa que o valha. Considero-me apenas alguém que opina. Mas, o fato de Lula aparecer com destaque nesse episódio de Paloci não deve ser visto como uma mera aparição de um correligionário do ministro trabalhando na sua defesa, mas a sinalização de que o ex-governo quer se manter vivo. Entendam a expressão “ex-governo” como quiserem, pois não quis dizer ex-presidente. O que eu quis dizer é quetoda uma predisposição daquele que encarnou a filosofia do ex-governo de voltar mais cedo ao centro do proscênio político e em seguida à sua ribalta.

Lula está aparecendo muito cedo e isso denota a falta de tato e habilidade do governo Dilma.

            Dilma Roussef pode ser uma durona como dizem, mas parece não ter habilidade suficiente para entender que o poder não se divide, mesmo que essa divisão seja com umcompanheiro”. Talvez esteja a explicação para as tantas indagações do porquê Lula insistiu com Dilma Roussef para sucedê-lo. E no fim, quem se lembra que se estava falando de ética e moralidade na vida pública brasileira?

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